segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

João Sebastião, Joana Campos, Sara Merlini - Contextos escolares e violência: uma análise comparada das determinantes organizacionais, formas de regulação e prevenção

Resumo

A ideia de que a violência na escola é um fenómeno recente e causado por factores exteriores tem fortalecido as concepções que consideram que estas não têm sido capazes de definir estratégias eficazes de regulação da violência na vida escolar. Procurando compreender que factores favorecem ou bloqueiam tais estratégias e mecanismos, apresentamos, nesta comunicação, os resultados de um estudo de caso desenvolvido pelos autores no âmbito do Observatório de Segurança Escolar.
Tendo como ponto de partida os dados estatísticos nacionais sobre os incidentes de violência nas escolas, realizámos uma análise comparativa em duas escolas contrastantes, quer do ponto de vista das situações de conflito, quer do meio social envolvente. Analiticamente foram consideradas duas dimensões convergentes nos processos de prevenção e intervenção: as orientações para a acção organizacional e a acção organizacional em si mesma.
Esta investigação permitiu realçar a centralidade de alguns factores como: a liderança e coordenação organizacional, a definição e modos de apropriação interna das estratégias de regulação e, ainda, os de mecanismos e práticas efectivos de resposta às situações de violência.

Artigo


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Margarida Quintela Martins, Belén Rando, César Madureira - Actividades de Enriquecimento Curricular das Escolas do 1º Ciclo do Ensino Básico – Estudos de Caso em Lisboa e Porto

Resumo

As Actividades de Enriquecimento Curricular (AEC) surgiram em 2006 no contexto de uma nova política educacional que procurava aprofundar o desenvolvimento das crianças do 1º Ciclo do Ensino Básico, assim como responder às necessidades de conciliação, por parte das famílias, entre o horário de trabalho e o horário das crianças na escola.
O estudo levado a cabo por Madureira et al. (2008), no Concelho de Oeiras, revelou que as AEC iam ao encontro de algumas das necessidades e expectativas das famílias, permitindo maior igualdade no acesso das crianças a actividades extra lectivas.
Na sequência da investigação referida, e com o intuito de auscultar também as possibilidades de uma Escola a Tempo Inteiro, um ano mais tarde foi desenvolvido o estudo objecto da presente comunicação. Neste último, foram efectuadas entrevistas semi-dirigidas a representantes das escolas/agrupamentos, das associações de pais e das autarquias de quatro escolas de Lisboa e do Porto. Também, se levou a cabo um inquérito por questionário aos encarregados de educação.
Os resultados revelaram alguns aspectos positivos, mas também algumas fragilidades. Por um lado, uma forte adesão às AEC e a percepção de estas actividades como úteis para o desenvolvimento das crianças e como essenciais num processo de conciliação entre trabalho e família. Por outro lado, a necessidade de introduzir melhorias no que diz respeito aos espaços, ao rocesso de selecção de professores/monitores e à informação fornecida às famílias, evidenciando-se a necessidade de uma maior articulação entre os diversos actores (famílias, escola, autarquias e associações de pais). Por último, a ausência de um consenso alargado entre as partes relativamente à responsabilidade que a escola deva ter na criação, a nível gratuito, de períodos de ocupação dos tempos das crianças para além dos períodos lectivos e de AEC, poderá exigir a necessidade de reequacionar o conceito de Escola a Tempo Inteiro.

Artigo

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Patrícia Torres de Barros, Isabel Candeias - Projecto curricular integrado: uma experiência de investigação-acção no contexto de uma turma de 8º ano de um Percurso Curricular Alternativo

Resumo

A reorganização curricular do Ensino Básico implica a construção de projectos curriculares com o objectivo de adequar os processos de ensino e de aprendizagem à realidade de cada escola e de cada turma. Esta exigência trouxe à tona uma discussão sobre as possibilidades concretas de articular as orientações curriculares nacionais e a diversidade cultural presente na sociedade actual e que se reflectem nas comunidades educativas.
Assim, considerando esta realidade, o presente estudo tem como objectivo principal detalhar o processo de construção (concepção, desenvolvimento e avaliação) do projecto curricular de integrado de uma turma, de uma escola básica do norte de Portugal, focando os seus pressupostos, finalidades e objectivos. O Projecto Curricular de Turma (PCT) concretiza-se através do projecto de intervenção “Um Percurso Alternativo para o Sucesso”, dinamizado no ano lectivo 2009/2010 e início do ano lectivo 2010/2011, através da expansão do currículo de um Percurso Curricular Alternativo (PCA) experienciado no 5.º, 6.º e 7.º anos para um curso de educação e formação no 8.º ano como forma de ajustar o percurso destes jovens à oferta do mercado de trabalho e às suas próprias capacidades. Neste sentido, a investigação-acção foi escolhida como a estratégia de intervenção/inovação, para potenciar a aprendizagem dos alunos e o desenvolvimento profissional dos professores.
Neste estudo, propomo-nos a analisar algumas actividades implementadas no âmbito do projecto de IA identificando papéis dos professores e alunos, as aprendizagens realizadas pelos educandos e o processo investigativo realizado pelos professores.

Artigo

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Gonçalo Nuno Ramos Maia Marques - A Importância do conhecimento histórico na construção identitária e social das primeiras idades

Resumo

Pretende-se com este trabalho de investigação perceber qual a importância que o conhecimento histórico pode ter nas áreas científico-curriculares do Conhecimento do Mundo (na Educação Pré-Escolar) e no Estudo do Meio Social (1º Ciclo do Ensino Básico). Esta etapa inicial do processo de Educação Básica reveste-se de grande significado na formação pessoal e social do indivíduo, pelo que importa fazer um levantamento do que já se tem trabalhado nesta área e das enormes potencialidades que o futuro encerra.
É importante que criança comece a desenvolver a noção de tempo, de pertença a uma comunidade com práticas culturais próprias (senso de identidade local/regional/nacional e universal), que perceba a importância da preservação do património histórico e cultural, bem como os primeiros rudimentos de cidadania activa e de historicidade da localidade ou, mesmo, nacionalidade.
Este trabalho baseia-se em alguns estudos de caso desenvolvidos no concelho de Viana do Castelo através do trabalho de prática pedagógica realizado pelos estagiários das antigas Licenciaturas (Pré-Bolonha) de Educação Básica, Professores de 1º ciclo do ensino básico e, mais recentemente, do curso de Educação Básica. É, portanto, um estudo de índole teórico-prática, que procura abrir pontes para o aprofundamento destas temáticas e lançar o debate que deverá envolver académicos, educadores, agentes educativos, estudantes e toda a sociedade educativa.

Artigo

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Jorge Ilídio Faria Martins - Num território hegemonizado pela oferta municipal de actividades de desenvolvimento curricular, Ramalde proclama-se a “aldeia dos gauleses”. Com que razões? Com que resultados?

Resumo

Esta comunicação dá conta de uma parte de um estudo que o Observatório da Cidade Educadora (CIIE/FPCE-UP) está ainda a desenvolver sobre a oferta das Actividades de Enriquecimento Curricular na cidade do Porto, com o objectivo geral de conhecer como está esse programa a ser sentido e vivido.
O Programa AEC’s, de âmbito nacional e criado em Junho de 2006, pretendia generalizar a oferta gratuita de um conjunto pré-definido de actividades que “enriqueciam” o currículo do 1º ciclo e, ao mesmo tempo, propunha constituir-se como fonte de organização de respostas sociais de apoio às famílias. O executivo municipal do Porto adoptou o Programa e estabeleceu-o em 14 das 15 freguesias da cidade. No entanto, Ramalde não quis fazer o mesmo, constituindo-se assim como um interessante “case study” no domínio das políticas locais de educação e, em particular, das justificações para as respectivas tomadas de decisão.
Partindo da análise dos contextos de decisão intervenientes no programa das AEC, esta parte do estudo pretende identificar as razões (políticas, sociais, organizacionais, financeiras, etc.) que levaram à “criação de um território educativo sui generis” dentro do território municipal, pretende também “retirar o véu” que cobre as justificações que os diversos actores apresentaram para que a “autonomia” da freguesia de Ramalde se afirmasse e, finalmente, procura mostrar como a gestão local da diferenciação socioeducativa e da desigualdade social se processa com relativo êxito no quadro daquela “autonomia”.
O estudo envolveu a audição (entrevistas e questionários) de todos os actores envolvidos, desde os responsáveis pelo poder ao nível da freguesia e do agrupamento de escolas, até aos professores titulares de turma e aos monitores das AEC’s, passando pelos pais das crianças que frequentam ou não essas actividades. Nessa audição, os actores foram questionados sobre a constituição da oferta local, a organização e funcionamento dessa oferta, os impactos sentidos no terreno e sobre as suas próprias representações acerca do programa. É também o resultado dessa audição que agora se restitui a todos quantos colaboraram neste estudo.

Carla Sónia Lopes da Silva Serrão - A educação sexual nos territórios educativos e no currículo escolar, de que forma?

Resumo

Apesar do significado nuclear das inovações operadas ao nível do macrossistema no que diz respeito à Educação Sexual (E.S.), o envolvimento das escolas e dos/das professores/as é ainda insuficiente. Veja-se a título exemplificativo o estudo de Serrão e colegas (2006), em que se concluiu que apenas 40,8% dos/das professores/as inquiridos/as se envolvem neste processo, somente 28,3% (no estudo de Ramiro e Matos, 2008) e apenas 27,7% (no estudo de Reis e Vilar, 2004) dos/das professores/as promovem acções de E.S..
A par destes resultados, outros permitem dar conta da inoperância da E.S. nas práticas quotidianas destes agentes, mostrando efectivamente que a sua promoção se caracteriza: pela dispersão e pela ausência de continuidade; pela sua não integração no quotidiano escolar; por ser uma actividade exclusiva dos/das professores/as interessados/as e motivados/as em levá-la a cabo; e por ser dirigida apenas a um conjunto muito restrito de estudantes (conforme resultados apresentados pelo GTES, 2007b).
Ora, sendo a E.S. um direito, um dever da escola e de todas as instituições sociais, propomo-nos reflectir sobre a sua construção. Construção esta, que deverá ser integrada num espaço local específico, onde os diálogos e a co-responsabilização se traduzirão em efectivas oportunidades para redução das desigualdades e assimetrias e para o desenvolvimento pessoal e social do indivíduo.

Alexandra Cabeçadas, Arsénio Nunes Aníbal - Aprender com a Vida: retratos e trajectórias de adultos portugueses pouco escolarizados

Resumo

Ao longo da vida dos indivíduos, vários agentes sociais desempenham, além da instituição escolar, um papel educativo, mais ou menos significativo.
A sociologia da educação tem à sua disposição enquanto objectos de estudo, os processos de aprendizagem e de aquisição de competências em que se encontram envolvidos e implicados os actores sociais ao longo de toda a sua trajectória de vida, em diferentes e múltiplos contextos sociais.
É no sentido da compreensão do papel desses outros agentes educativos e da forma como se processa a aprendizagem e a aquisição de competências nesses outros contextos educativos, que me proponho apresentar nesta comunicação o ponto de situação actual da minha dissertação de doutoramento, dividindo-a em 3 partes:

1) Desenvolvimentos teóricos, em sociologia, sobre:
- Literacia (explicitação da importância acrescida da Literacia nas sociedades contemporâneas);
- Aprendizagem e cognição (apresentação de teorias sobre os processos cognitivos associados às competências de literacia);
- Leitura e escrita como instrumentos de reflexividade e de ruptura com o sentido prático;
- Aprendizagem narrativa (abordagem dos efeitos transformadores da escrita sobre a própria vida: Projecto “Learning lives”).

2) Explicitação da questão central da investigação
Os resultados de estudos nacionais e internacionais de literacia evidenciam o défice de competências de literacia da população portuguesa. E permitem compreender que esse défice se deve sobretudo à reduzida escolarização média da população, sendo que essa relação entre literacia e escolaridade é especialmente gravosa para o nosso país. Existem, no entanto, excepções, singularidades. Esta regularidade social tão evidente foi “furada” por alguns indivíduos que, apresentam um perfil de literacia elevado, apesar de terem frequentado a escola durante um número muito reduzido de anos.
Considerando como relevante e válida a compreensão da realidade e das regularidades sociais a partir do seu confronto com as singularidades, o enfoque da pesquisa foi colocado nestes casos singulares/excepções estatísticas, pretendendo-se conhecer detalhadamente os percursos biográficos dos adultos com desempenhos excepcionais nos processos de reconhecimento, validação e certificação de competências.

3) Estratégia metodológica adoptada e resultados provisórios
Na 3ª parte da comunicação, explicitarei as opções feitas em termos metodológicos: a construção da amostra, a opção pela abordagem biográfica (interlocuções/entrevistas e análise dos Portefólios Reflexivos de Aprendizagens dos indivíduos seleccionados). Prevê-se ainda a apresentação dos resultados preliminares das primeiras entrevistas e da respectiva análise de Portefólios.

Artigo

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